30 de novembro de 2018

Apenas uma marca....

Demorei pra enfim aceitar...
Nós poderíamos ter vivido muitos outros momentos, ter escalado aquela montanha, ter feito aquela trilha, ter mergulhado naquela lagoa, ter visitado aquele museu, ter, ter e ter, coisas que nunca saberemos como teria sido, porque não haverá...
Hoje enquanto arrumava algumas coisas encontrei aquela correntinha sua que quebrou na minha mão no dia que fizemos a nossa primeira viagem de moto juntos, ela foi um presente da sua falecida avó e eu fiquei tão constrangida que acreditei ter estragado nosso fim de semana, mas você, apesar disso,me deu alguns dos melhores dias da minha vida, me fez te olhar e me enxergar ali e uns 28 anos depois junto com você... pena que o nosso olhar tenha mudado com o tempo.
Seu afastamento, meu silêncio, nossos desencontros e por fim uma companhia que eu não esperava ter, a doença e a solidão...
Eu tive medo de te perder quando revelasse o motivo das minhas poucas palavras, era injusto te colocar numa questão que era tão minha, mas ao mesmo tempo esperei de você uma única chance, entre todas as que tentei criar, o filme na casa do João, o churrasco no apto da Cristina, o sapato que esqueci na sua casa, sua camisa que eu escondi aqui, algumas das oportunidades de te fazer ficar quando no fundo eu já sabia que você não estava mais no nosso nós...
Talvez hoje eu ainda tivesse sua companhia, talvez eu já tivesse me entregado à doença, talvez, ou melhor certamente eu não saberei como seria o hoje, o que sei é que por agora, tudo que eu preciso é mostrar que apesar de nós estarmos juntas, essa é uma relação que tenho lutado pra por fim o quanto antes, e que em breve ela seja apenas uma marca cicatrizada assim como você também será um dia...